
Mesmo segura de quem é, ela é uma daquelas mulheres capazes de ainda ruborizar quando dá de cara com um elogio sincero.
Bem vestida e sucedida, anda leve e fita furtivamente com o canto dos olhos quem sabe que a olha.
Não sai de casa sem sua leve timidez, quase traço de personalidade desenhado, só pra dar mais charme à sua elegante discrição.
Periga ter pelo menos mais de uma grande história de amor guardada no passado
– já namorou de engravatado a largadinho - e não se deixa levar apenas pelo que brilha, é novo ou colorido.
Ela não precisa mais disso. Deslumbramento pra ela já saiu de moda.
No seu andar doce quase distraído, já passou da fase de precisar se achar linda.
Passou até daquele tempo afobado em que toda menina precisa que o universo todo a achasse linda.
Hoje, sabe que é. Sabe que é muito mais que isso e só dá seus segundos a quem sabe olhar e reconhecer seus detalhes.
Faz tempo que aprendeu a cultivar suas próprias opiniões e gostos.
Chorou suas perdas, ajudou a escrever suas lendas e salpicar cada uma de suas pequenas sardas.
Sabe que pinta nasceu depois de que verão e quantos sorrisos foram necessários para sacramentar aquele início de ruga.
Ela não esquece que tem horas na vida que só resta mesmo é engolir seco, e que romantismo já foi menos escasso no seu coração.
Ela é mais pé no chão. É mulher que reclama do corpo só para não fugir da regra, mas que no fundo não o
trocaria por nada porque sabe ali seus anos de cumplicidade e alegria.
Essa mulher é a que se arrepia inteira com o toque certo, com apenas um ou dois jeitos muito certinhos de ser segurada.
Conhecedora de seus limites e segredos, sabe dirigir sutilmente pelo seu corpo, cheiros (e que cheiros!) e interjeições
quem escolhe para saboreá-la. Prazer, aliás, agora restrito apenas a quem conquista muito mais que seus sorrisos e beijos
numa noite. Mais racional que antes, diz para as amigas que já nem espera tanto ainda do amor,
mas certamente acredita nele. Essa mulher não fica mais esperando pelo príncipe,
mas se cuida como princesa porque sabe que merece ser uma.
Direta e assertiva, tem uma velha famosa foto em preto-e-branco como sua favorita e cantarola uma música com mais
de 10 anos de idade quando se distrai.
É uma mulher que olha no espelho com mais consciência e leveza.
Ainda não cansou de praguejar contra as leis do tempo e da gravidade,
mas já consegue até achar bonitinho algum detalhe na imperfeição de seu corpo que os homens acham lindo.
Ela sabe de seu corpo. Sabe vivê-lo, estranhá-lo e fazê-lo gozar.
Essa moça é tão assim, que cativa até a segurança quando passa.
É nela que começa aquela história, real, de que por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher.
É ela inclusive que faz o homem ser grande. Sua serenidade, tesão e cumplicidade transformam qualquer garoto,
por mais eternos moleques que sejamos.
Nenhum homem tem uma mulher de vinte e blau. Ela é que tem a gente.
Com mais sapatos e menos biquínis que anos antes, com mais filmes favoritos
fora do circuito e menos amigos em portas de boate.
Ela desceu do palco e foi para o mundo. Aprendeu a fazer melhor as suas escolhas e mesmo atolada de responsabilidades
ainda esconde em algum lugar um riso ou olhar secreto de menina. Mesmo que seja só pra ela mesma,
olhando orgulhosa e cínica para a própria bunda numa calcinha velha quando passa em frente ao espelho
na manhã de sol de um domingo.
A mulher de vinte e blau, com seus cds, livros, neuras, histórias e filtros solares
não é uma conquista a ser feita. A mulher de vinte e blau é uma mulher a ser merecida.
E, com sorte e algum talento, mantida.
Por André Debevc
( Adoro esse texto ... E que se alguém pensa saber tudo,
É porque não aprendeu como convém saber!! )
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